A gente se esconde, sempre! Seja através de um falso sorriso, roupas bacanas, baladas frenéticas. Escondemo-nos em amizades sem verdades, em relacionamentos vulneráveis, em compromissos fracassados. Assumimos posturas desnecessárias, buscamos corpos impecáveis e lutamos pela aceitação. Essa, que nem nós mesmos acreditamos. Camuflamo-nos em solteirices eternas por medo de sofrer. Apegamo-nos a amores platônicos para não nos envolver. Rendemo-nos a sentimentos fajutos para não ter de vivê-los.
Buscamos outro que a nós não pertence, admiramos posturas que não temos coragem de praticá-las e sonhamos em ser aquilo que não nos cabe. No final, sentimo-nos fracos, rejeitados e medrosos. Não por sermos, mas por sonharmos tanto com a imagem de alguém que não a nossa. Assim sendo, vivemos uma infelicidade recíproca, entre o nosso verdadeiro eu, e aquilo que gostaríamos de ser.
Almejamos a liberdade dos solteiros, o carinho dos casados, e a maturidade de quem não liga para nada disso. Traçamos caminhos que não temos coragem de seguir, e pranteamos as oportunidades perdidas. Vivemos uma vida falha, e lamentamos, sempre! As frases mais clichês nos parecem eternas verdades, que não passam de conselhos banais. E assim seguimos. Dia após dia, noite após noite atrás do novo, do sonho, do esconde, esconde. E quando nos damos conta, já estamos velhos. E então, olhamos para trás e percebemos que tínhamos sim uma vida digna, maravilhosa e incrível, mas, estávamos tão ocupados em tentar ser o outro, que nos esquecemos de viver a nossa verdadeira vida.
