A vida para quem é grande…

Estressei. Se soubesse que a vida adulta era tão chata, não teria crescido. Tudo bem, é inevitável, mas poxa… A gente trabalha, trabalha, trabalha… e o dinheiro não dá. Então arrumamos mais trabalhos, e bicos, e free lance… e ainda sim o dinheiro não dá.

Viramos noite, abrimos mão do convívio familiar, com os amigos, com os prazeres da vida. Pra quê? Para se tornar adulto. Quando adolescente, sonhava com a minha carteira de habilitação, com meu carro, com meu emprego. Dizia que aos finais de semana, chamaria alguns amigos, entraria no carro e partiria sem rumo. Goiânia, Pirenopólis, Chapada… todas essas cidadezinhas que estão próximas à Brasília seriam meu alvo…

Ah se a vida fosse tão colorida assim. Hoje, aos finais de semana, quero dormir. Apenas! Descansar e me recuperar para mais uma desgastante semana. Quem me vê dizendo isso deve pensar: – “Que hipocrisia”. Vai lá… é obvio que ainda saio, bebo e me divirto, mas não com tanta intensidade como antigamente.

Hoje a vida tem outra cara, outras cores. O verde, que costumava ver a cada feriado de quinta ou terça (na faculdade sempre emendava), foi substituído pelo cinza do céu empoeirado. Em Brasília, há tempo não vejo um sol tão lindo como quando tinha meus 18. Não é que não faça sol nessa terra louca, eu é que não tenho mais tempo de apreciá-lo.

 O tom amarelado da cevada gelada, que descia redondamente em minha goela nas sextas, ou demais dias, quando saia da aula para dançar um forrozinho, ou apenas sorrir com os colegas de classe, foi trocado tensamente pelo preto do café, ou, talvez, da coca-cola. O intuito é manter-me acordada. Confesso que, nem sempre eles (a coca-cola e o café), são eficazes.

As minhas noites de sono… ah minhas noites de sono!!! Como eram boas. Dormia a noite inteira, assim, como uma criança, sabe? Ao ver mamãe descabelar-se por conta de dividas dizia: -“ Se estressar não resolve. Quando puder, você paga”. Se na vida real fosse tão fácil assim. Hoje sei o que é perder uma, ou várias, noites de sono por conta de dívidas.

Meus amigos… ah os meus amigos. Como eram intensos os nossos encontros. Virávamos noites em bares da cidade lamentando os problemas que não tínhamos, chorando por amores que não nos pertenciam e sonhando com um futuro distante.

Não quero que isso pareça uma carta de lamúrias. Reconheço as mudanças e sei que foram inevitáveis. Cresci como pessoa, como profissional e realizei muitos desses sonhos que já citei. Sei que para conquistar N outros, terei de continuar a abdicar farras etílicas e encontros casuais. Mesmo sofrendo com a ausência da família, dos amigos e dos encontros, confesso que estou bem. Talvez desgastada pelo trabalho, mas feliz. Sei que muitos dos meus amigos encontro aqui, nesse espaço virtual. Espero que a visita deles (dos amigos) seja breve, pois estou morrendo de saudades.

Ainda que virtualmente, sinto necessidade de dizer-lhes o quão importante são em minha vida e como faz falta. Queria que o nosso dia tivesse 48 horas. Assim teríamos ao menos 30 minutos para nos abraçarmos e sorrirmos da vida. Se o dia tivesse 48, ainda que tivéssemos dois empregos, e bicos, e free lances, ainda sim, teríamos tempo uns para os outros.


3 Comentários

  1. O tempo é foda…

  2. A falta de tempo que é foda… Amei o texto Ju!

  3. eu também não quero mais ser adulta!

    adorei o texto Ju.


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