O reencontro

A semana começara fria. Por mais que ainda fosse segunda, já estava perto do fim. Os trabalhadores seriam beneficiados com uma maravilhosa folga na sexta, e isso encurtou a tediosa semana. Estava em casa, assim, sem muito que fazer. A brisa fria soprava a janela e o uivar do vento me gelava a alma.

Estava cabisbaixa e meu coração parecia apertar. Era uma semana estranha e muito pouco animadora. Mesmo sendo segunda, o final de semana já se aproximava e eu me punha a pensar o que fazer com dias tão monótonos. Escrever, há tempo, já não era uma boa saída. Minha mente estava travada, e eu já disse isso há alguns dias. Ler um bom livro seria uma ótima oportunidade para vencer o tédio, mas não conseguia me concentrar. E foi na tentativa de curar a angústia de dias enfadonhos que revivi minutos indescritíveis.

Já passava das 19 horas. A noite era uma penumbra. Depois de um sonho perturbador, resolvi chamá-lo no messenger. Falamos-nos por alguns minutos, ou talvez horas. Quando estou com ele o tempo voa. Resolvemos nos reencontrar. Uma oportunidade de reviver uma espécie de ‘nostalgia’. Sem melancolia ou ressentimentos.

O dia amanhecera melhor do que a noite anterior, e o cair da tarde parecia agradável. Um lanche, um bate-papo. Momentos de alegria profunda. Uma paz imensurável e a certeza de um sentimento puro. De respeito. De carinho. Uma conversa de horas a fio nos fez recordar de momentos únicos.

Nosso primeiro beijo. Nosso romance infantil. Uma inocência não mais vivida por estas gerações. A juventude. As amizades. A lealdade. As confusões. “Quando jovens, nos metemos em cada uma…” As intrigas, as crises de ciúmes, o sentimento de perda.

Pontuamos cada alegria que vivemos. Por aquele momento, esqueci o que tem sido ruim. Os problemas fugiram de minha mente como um foguete que ruma à lua. Não tinha tempo para refleti-los. A única coisa que passava em minha cabeça era como tinha sido bom tê-lo, ainda que em uma época tão distante.

Depois de horas de conversa veio o pior: a despedida. Tivemos que nos deixar. Já era tarde e o frio apertava. Não dava mais para protelar. Era preciso partir. Um abraço forte selou um sentimento que não morrera e a promessa de um novo encontro reviveu uma história. Meu sentimento por ele sofre de catalepsia. Parece morto, mas, após horas, pode-se sentir o voltar a bater do coração.

1 Comentário

  1. Everlasting love!
    Ever-Lasting…

    Vai, bate e volta.


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