Sobre um ‘menino’

Há dias tento me concentrar, mas não consigo. Acho que é ele. A culpa é toda dele. Em dias quentes sinto falta do seu corpo sobre o meu a transpirar de desejo. Nas noites frias, sinto falta de seus braços a me acolher. Em suma é isso: sinto falta dele, o tempo todo. Talvez seja seu olhar sedutor que me invade a alma. É meio invasivo mesmo. Ele chega, se concentra em meu olhar e em poucos segundos sinto ele dentro de mim. No fundo de minha pupila o desejo se põe a entregar, e eu sou dele, só dele.

Os seus lábios cálidos e macios me consomem. Assim como nós, mulheres, ao comer o fruto proibido. A tal maçã que fez de nós reféns do pecado. Ele me devora com seus beijos calientes e quando vejo, por mais uma vez, sou dele. De fato é estranho dizer como um menino me envolve assim. Ele é dono dos meus pensamentos, do meu corpo, dos meus instintos.

Juntos, somos animais que se dilaceram. Nossos corpos transformam-se em um nó humano amarrado pela excitação. É fato: ele me envolve. Seja com o olhar, com um beijo, um sussurro, ou, simplesmente, com o fato de saber que ele existe. Os dias tornaram-se mais longos do que antes, e as noites ainda mais curtas. Passo os dias a esperar pela hora em que o verei, mas, quando me dou conta, já é hora de nos despedirmos.

Gosto quando o sinto em mim. Gosto de tê-lo ainda que indefinidamente. Gosto da ideia de ser dele, e dele ser meu, mesmo que vagamente. Não gosto de pensar no que me entristece e, tampouco, no que faz sentir-me longe, ora dele, ora de sua história. Ver a vida de forma fantasiosa me atrai. É melhor que seja assim, sempre. Um mar de desejo que, mesmo quando tem hora para acabar, não se acaba nunca. Nos devaneios de minha insanidade, deliro com seu toque e seu cheiro doce que me envolve a nuca, e o corpo inteiro.

1 Comentário

  1. Adorei este texto, parece uma história que eu já li! rsrssrsrsrsrsrsr


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