Procura-se um sapo!

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Há tempos um assunto lateja em minha mente. Fico me questionando como deve ser a vida de quem sonha com um príncipe. Conheço pessoas que, do dia que nascem até o dia que “morrem”, só pensam em como serão as suas vidas de casadas. Idealizam um mundo mágico e perfeito, e topam “qualquer coisa” só para cumprir essa vontade social.

Sabe, na minha família, lugar de mulheres fortes, não houve espaço para conto de fadas. Desde pequenas fomos educadas para levantar, sacudir a poeira, e trabalhar duro para conseguir as coisas. Essa ideia de que um homem chegaria e traria tudo de mãos beijadas, nunca foi uma verdade. “Mulher que quer vida boa, levanta cedo e conquista a sua”. Essa é a máxima.

O ideal de um homem especial, diferente, intocável, perfeito, amável, príncipe, nunca existiu para nós. No nosso mundo real, as pessoas são cheias de defeitos. Casamento é algo bastante difícil, mas necessário para o crescimento espiritual. Construir uma família faz parte do processo, mas não é uma meta.

Para mim, especificamente, o casamento sempre foi uma incógnita. Não consigo me imaginar casada com qualquer pessoa só para dizer: casei! Penso que preciso de alguém que queira viver comigo três requisitos básicos: ter a família como prioridade; princípios e valores compatíveis com os meus, e defeitos toleráveis.

O motivo parece bastante óbvio. Não é possível ter filhos com alguém que não encare a família como prioridade. Não dá para educar a cria, se o cidadão pensa de forma completamente distinta da sua, além do que, é inviável uma relação em que os defeitos sejam tão insuportáveis, que você não consiga vislumbrar as qualidades.

Eu nunca fui princesa. Nunca me vesti de Cinderela, Branca de Neve, ou qualquer coisa do tipo. As minhas princesas sempre foram mulheres fortes, que nunca foram salvas por príncipes em cavalos brancos, mas que conquistaram a vida com muito suor e trabalho. Da Disney eu não entendo praticamente nada, e acho que o conto de fadas que mais gosto é do Shrek.

Bom, diante dos fatos, só posso dizer uma coisa: aos trinta e poucos anos, continuo não querendo príncipes. Não gosto de gente “perfeita”. Gosto de gente. Gente que sofre, que reclama, que briga por gostar do outro. Não gosto de quem se cala diante da vida e aceita tudo em completa harmonia.

Por isso quero um sapo, com seus defeitos e qualidades. Um ser humano capaz de me fazer companhia em momentos difíceis e que me encare como pessoa normal, e não uma princesa inatingível. Alguém que aceite meus defeitos e entenda que, em um relacionamento, nem tudo são flores, assim como nem tudo são espinhos.

Sigo a acreditar que a vida pode ser vivida com todas as delícias e dores que cada um traz no coração. Acho que cada um carrega a sua história, e isso é valioso para uma vida a dois. Hoje, com um pouco de experiência e após alguns tapas do destino, chego à conclusão que, talvez, tenha chegada a hora de eu seguir em busca do meu sapo.

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“Desejo não é amor”

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“Desejo não é amor”. Eu ouvi essa frase um dia antes da minha viagem. Estranho entender isso, mas veio a calhar. A frase foi dita em uma palestra sobre Constelações Familiares, proferida por Bert e Sophie Hellinger, aqui na Capital. Bom, para não misturar as coisas, basta dizer que o conteúdo da palestra caiu como uma luva. Prestes a embarcar rumo a Ouro Preto-MG, e com o assunto da conferência tocando a minha ferida, não conseguia pensar em outra coisa. As palavras escapuliam do meu cérebro, como a areia de um deserto em um dia de ventania. Tudo era pertinente. E doloroso. Aquele discurso latejava, e minha mente não conseguia responder.

Eu havia decidido viajar sozinha por vários motivos, mas, o principal deles, é que eu precisava de um retiro pessoal. As ideias e sentimentos me consumiam tanto que a única coisa que eu queria era colocar as ideias em dia e entender as coisas.

O tempo de permanência naquela cidade pareceu tão pouco diante de tudo que eu tinha para desbravar, que tentei aproveitar cada minuto, sem me esquecer do meu propósito: colocar a cabeça em dia.

Quando consegui chegar ao Hostel em que eu tinha feito minha reserva, conheci logo de imediato um jornalista despachado, que insistia em discutir política naquele momento impróprio. Meu estômago revirava e uma ânsia (por vida e liberdade) causava um certo desconforto peculiar. Para não parecer desagradável, participei superficialmente daquele embrolho político, forrei o estômago, e parti rumo ao desconhecido.

Com um bom e velho par de tênis, subi e desci ladeiras de forma incontável. O corpo dava sinais de cansaço, mas meus sentimentos se reviravam dentro de mim, enérgicos. Um suor frio consumia o meu corpo, meu coração palpitava descompassadamente, e eu ali, sem ter como intervir nesse processo fisiológico.

A tal frase pulsava em minha mente a cada ladeira que eu subia e descia na cidade mineira. O princípio de Sophie Hellinger tinha sido dito para mim, ainda que ela não soubesse disso. Vivi por dois anos um relacionamento que me mostrou, na prática, a máxima de Sophie: desejo não é amor. E encarar isso de frente era como enfrentar um segredo obscuro. O assunto era velado e o medo de aceitar essa verdade acovardava.

Eu confesso que há tempos me sinto presa. É como se meu coração ainda não estivesse em paz com o mundo. Não só por uma questão amorosa, mas por problemáticas que vão além do imaginável.

Quis chorar por muitas vezes, mas não consegui. Não me achava forte o suficiente para isso. Pensava, pensava, pensava e, em um looping eterno, não chegava a lugar algum, além do mesmo começo. A viagem? Não poderia ser mais perfeita. Os dilemas? Esses estão no meu estômago, numa tentativa ruminante de serem digeridos

“Femi”, o quê?

Era um sábado de manhã. Meu corpo estava cansado, mas precisava me levantar. A origem era uma aula de Direito Penal em um preparatório para concursos aqui da Capital, que tinha como foco o concurso da Polícia. A sala, como esperado, estava abarrotada de homens. Eu e mais algumas poucas mulheres dávamos um ar diferente àquele ambiente. Éramos passarinhos fora do ninho.

Em meio ao discurso do professor, em um tom bastante debochado, ele arrancou gargalhadas da plateia masculina ao comentar que tramitava no Congresso Nacional um Projeto de Lei que criava o feminicídio. Diante das risadas descontroladas ele explicou: as mulheres não entendem que o homicídio não é um crime que atinge apenas os homes? Mais uma vez, a máscula plateia esbanjou risos altos e agressivos.

Eu, e meia dúzia de meninas, nos olhávamos atônitas. O PL, de fato, era uma novidade. Mas a maior novidade, para mim, era um conceituado “mestre” do ensinamento jurídico incentivar, ali, a formação do discurso de centenas de machistas desavisados.

À época, eu realmente não entendia muito bem o projeto, e, acuada pela testosterona em chamas daquela quantidade de machos, fiquei paralisada, atônita e reprimida. Não, eu não tive peito para comprar a briga e enfrentar aqueles marombados sedentos e machistas.

O tempo passou. O projeto virou Lei, e hoje, talvez, aquele mestre consiga entender aonde se queria chegar com aquilo. No universo masculino, o assédio é coisa de feminista. O vagão para mulheres é frescura. A Lei que protege a mulher de grandes covardes não passa de balela de sexo frágil.

Para nós, mulheres, tudo isso ainda é pouco. Há a proteção legal, mas não há a proteção diária. A sociedade nos pune pelo que vestimos, pelo que queremos, pela forma que nos comportamos. Acham babaquice buscarmos direitos iguais e ainda julgam o estupro como culpa da mulher gostosa que sai à rua de shortinho.

Nessa semana, duas meninas, jovens, cheias de vida e história, foram vítimas da hipocrisia masculina. Elas mostraram com a própria vida a importância da Lei que pune o crime contra as mulheres. Uma, de classe média. A outra, de classe baixa. O crime contra a mulher não escolhe classe. Não pense você que apenas o homem pobre, nordestino, machista agride a sua mulher. São muitos os casos de agressão à mulheres instruídas, bem sucedidas. Os casos não acometem apenas a esfera física, mas também a moral e psíquica.

A mulher é vítima diariamente da brutalidade daquele que acha ter o direito de posse sobre a parceira. Acuada, amedrontada, piedosa, essa mulher poupa o agressor covarde de ser punido. Talvez por medo ou vergonha. Em contrapartida, milhares de mulheres são mortas como pagamento por não poderem dizer não.

Este não é um texto sobre sexo, amor ou relacionamento. Apesar de estar intimamente correlacionado, não posso concluir que quando o homem bate, maltrata, humilha, mata a sua parceira, existe amor, sexo ou relacionamento. Para mim, nesses casos, só existe um deplorável ato de covardia.

PASSEIO DE CAIAQUE

Você já andou de caiaque? Já andou de caiaque em dupla? Assim, naqueles que você divide o mesmo barco? Acho que essa é a melhor analogia que posso fazer de um relacionamento. Sabe, certa vez fui brincar de caiaque com alguns amigos, numa tarde de muito sol, em um lago aqui da Capital. O dia estava deliciosamente cálido, e a água morna era um convite à parte. Eu, como uma iniciante, tive certa dificuldade para entender alguns comandos. Remar para um lado, quando se quer ir para o outro, equilibrar o corpo para melhorar o desempenho, fazer a curva, voltar… Bom, mas fazer tudo isso sozinha, por mais difícil que pareça, ainda é mais fácil.

Agora, una toda essa dificuldade de iniciante e coloque alguém para remar com você, no mesmo barquinho, e verás a sua vida tomar uma proporção descompensada. É que tudo na vida, quando se faz em “equipe”, acaba sendo um pouco mais complexo. Enquanto você rema para a direita, o outro rema para a esquerda. Enquanto você quer ir, o outro quer voltar. E assim, no meio dessa inconsistência toda, a desarmonia prevalece. É meio estressante essa experiência e acredite: não há romantismo em um passeio duplo de caiaque.

Bom, você deve estar se perguntando aonde eu quero chegar. Eu te explico: a vida amorosa é recheada de incoerências. Viver a dois é como remar em um caiaque duplo. Precisa ter sintonia, unidade nos comandos, agir em equipe. Se não, fica bastante complicado alcançar a linha de chegada. Em um relacionamento, a linha de chegada pode significar diversas coisas, inclusive nada. Pode ser o fim, ou o começo, dependendo da disposição.

O que quero esclarecer é que não se rema sozinho. Não em um caiaque duplo. É preciso afinidade, parceria, reciprocidade. Sem isso, a fadiga da remada solo rouba a diversão do passeio. Se você olhar para a sua relação e tiver a leve sensação de que está remando sozinha, aceite: é hora de recalcular a rota e repensar a “equipe”.

É inviável buscar a diversão em um passeio a dois, quando o outro só consegue discorrer sobre  Continue lendo

AMOR CASTO

Era uma época boa de setembro. A juventude me tomara pelos braços e eu sentia aquele gosto de fruta doce da estação. Um sentimento pueril me envolvia como uma manta de algodão egípcio. O meu coração acelerava. Acelerava muito mais do que eu gostaria. Era algo incontrolável e proibido.

É difícil pensar em viver a adolescência sem desfrutar do amor mais puro e pecador. Sem metáforas. Pecador no sentido real mesmo, aquele de desejar o proibido, o impensado, o improvável. Não tenho dificuldades em me lembrar de quantas pessoas viveram as proibições cálidas da puberdade. Comigo não seria diferente.

Mas, talvez, a minha fosse a mais perigosa. O amor não pode ser algo unilateral. Precisa da reciprocidade, da troca. Isso, certamente, eu nunca teria. Não com ele. Aquele homem esguio, de rosto quadrado, cabelos lisos e cheiro perturbador. Sua alegria contagiante, sua inteligência agradável e uma forma tão otimista de ver o mundo me fascinavam. Eu queria mais. Queria tudo aquilo para mim de forma tão possessiva que me envergonhava. Sonhava com o toque dos seus lábios. Aquilo me consumia.

Ele, com um pouco mais de experiência do que eu, tinha no seu casto coração um voto. Um voto de amor único e inconfundível dedicado ao sobrenatural. Eu, em minha infinita pequenez, não o quis tirar de sua castidade plácida, mas me mantinha absorta admirando com um carinho idólatra aquela figura “divina”, apesar de isso parecer pagão.

Aquele sentimento juvenil ficará sempre guardado. Talvez em um lugar tão casto quanto aquele voto. Talvez em um universo não desvendado, ou talvez em uma caixa de lembranças. Mas, o mais importante, é que alguns sentimentos nunca morrem.

NÃO SEJA UM COVARDE!

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Ah… A vida está cheia deles. Pessoas fracas, medrosas e COVARDES! Sim, covardes. É desse tipo de gente que estou farta. O covarde (perdoem-me pela repetição excessiva do termo COVARDE, mas não consigo achar sinônimos para isto) é aquela pessoa que ama a zona de conforto, ainda que, para permanecer nela, tenha de tornar a vida do outro um verdadeiro redemoinho. Acho patético o egoísmo dos covardes. Eles são incapazes de dizer sim ou não. Ficam ali, parados, como um coelho amedrontado por um leão faminto.

Ele sempre escuta. Ali, com aquela cara plácida, ele se põe a observar cuidadosamente cada palavra que sai da boca do outro, cada gesto ameaçador. Não, ele não quer te propor uma solução inteligente. Ele só quer ter a certeza de que vai sair ileso daquele tornado de palavras.

O covarde sempre está em cima do muro. Ele usa discursos como “não quero te magoar” e “o meu respeito por você é maior do que tudo”. Mentira. Ele não sente nada disso. Ele apenas não quer dar a cara a tapa, se expor e indispor com as escolhas que devem ser feitas.

O covarde não assume relacionamentos por medo de sofrer. Por temer que, um dia, se o lance acabar, terá de falar sobre o assunto com os outros, e isso incomoda. O covarde não toma partido em uma briga, pois ele não acha certo se indispor com os amigos. O covarde? Ah… o covarde é um puta egoísta fechado dentro de sua bolha. E ele, logo ele, que acha a caixinha social a coisa mais bonitinha que existe, não quer se encaixar em nenhuma.

O covarde é hipócrita, fraco, mentiroso. Ele ama calado, sofre calado, e faz tudo assim: na surdina. Tornar-se “vivo” em qualquer meio social é muito arriscado. Ele não suporta críticas e, por isso, faz de tudo para não recebê-las. Assim, vivem inertes no mundo. Com seu silêncio ensurdecedor e se apegando às coisas mais esdrúxulas como desculpas.

Eu só te peço uma coisa: não seja covarde. O mundo já tem milhares deles. Não seja mais um. Fale que ama, que quer, que odeia, que incomoda. Fale! Não seja um simples pé de couve.

A culpa não é sua

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Antes de tentar te explicar o motivo desse título, gostaria de te fazer uma pergunta: quem foi que inventou o príncipe? Sério! Aquele homem perfeito, sem defeitos e insubstituível? Porque assim, a gente sabe que na vida real isso não existe. E não existe MESMO! Mas, sabe-se lá o porquê, colocaram isso em nossas cabeças. Desde a época da minha avó, ou bem antes disso, as mulheres já viviam em busca de um amor perfeito.

Acontece que, como já disse, isso não existe. Mas, mesmo assim, comportamo-nos como cinderelas atrás de um lindo homem em um cavalo branco. Na falta disso em nossa dura realidade, pegamos o “sapo” mesmo, e o transformamos em príncipes. Aí, aquele cara babaca, sem modos, estúpido, grosseiro, demasiadamente arrogante, vira o homem da sua vida. Ele, cheio do ego que você fez questão de inflar, faz de você gato e sapato.

Você, diminuída pelo “amor da sua vida”, vê sua pobre autoestima enterrada na camada do pré-sal. E então, minha amiga, nem a melhor psicóloga do mundo é capaz de te tirar de lá. Quando o “sapo” te dá um pé na bunda, você, inconscientemente, começa a se culpar. Descobre que o cara está em outra, e se culpa.

Acha que não era gostosa o suficiente, que seus seios eram muito pequenos (ou grandes demais). Que não fora paciente, se julga intolerante por não aceitar os dias de futebol, as humilhações em público ou até mesmo as traições. Mais uma vez, coloca o ser humano lá em cima e se sente a pior pessoa do mundo. Acha que o cara prefere loiras a morenas, menininhas a mulheres, cabelos longos a curtos, e por aí vai. Você nunca acha que não deu certo, porque não deu. Considera sempre que foi você quem não fez o suficiente para manter aquela relação, que nem era lá essas coisas.

Para! Por favor, para. Cara, você é, sim, uma mulher espetacular. Incrível e cheia de qualidades. Talvez aos olhos de alguém você esteja acima do peso, ou não tenha ficado bem loira, ou seja explosiva demais. Mas, aos olhos de outro, você é tudo aquilo que ele sempre sonhou. Não acho que alguém seja babaca pelo simples fato de não querer o outro, mas que tem muita gente babaca, tem. O que você precisa entender é que não podes permitir que um pobre mortal, assim como você, faça com que você se sinta diminuída. Ame-se. Com os seus quilos a mais (ou a menos), com seu corpo, seus defeitos e qualidades.

Sabe qual o meu conselho? Fique com os legais, divertidos, companheiros. Procure alguém que te queira bem.  Não ache que você vai transformar água em vinho. Desapegue-se dos contos de fadas e viva um amor real. Sem príncipe, mas com muito respeito. De preferência, o próprio.